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Jogamos: Pokémon Let’s GO é casual, mas ainda acolhe os fãs da série

Como parte da Brasil Game Show 2018, a True Gamer Revolution teve a oportunidade de passar dez minutos com Pokémon: Let’s GO, Pikachu! e Let’s, Go, Eevee!, novas apostas da franquia que estão em desenvolvimento para Switch. A experiência aconteceu com a Poké Ball Plus, controle em formato de pokébola especial para o game que começará a ser vendido a partir de 16 de novembro nos Estados Unidos.

Este novo jogo carrega um grande peso emocional por ser a primeira iteração da série  de monstrinhos para a mais recente plataforma da Nintendo — e o primeiro em alta definição, por consequência. Por outro lado, ele também carrega muitas incógnitas por abraçar um formato mais convidativo ao público casual, que supostamente nunca teve contato com a linhagem principal de RPGs, e por direcionar esforços para atrair a base de jogadores de Pokémon GO — disponível para celulares e tablets.

Os pokémons selvagens passeiam ao redor do jogador e as capturas bebem da fonte de Pokémon GO

Logo de início, percebemos que a perspectiva de jogabilidade nos momentos de exploração deriva dos games mais recentes para Nintendo 3DS. Os ambientes e os personagens são completamente tridimensionais e têm um estilo anime, mas há um cuidado adicional no quão vivo e dinâmico o cenário é: a vegetação da floresta de Viridian, por exemplo, está em constante movimento, da grama às árvores. Os pokémons selvagens, que antes surgiam repentinamente enquanto circulávamos uma área de aparição, agora são visíveis e passeiam pelo ambiente, dando início ao processo de captura caso encostemos neles. Isso também colabora para deixar a ambientação mais crível e ajuda o jogador a visualizar os pokémons que estão ao seu redor e a priorizar aqueles que deseja.

O processo de captura se dá da forma como muitas pessoas temiam: não há combates. O jogo apresenta uma opção para nos prepararmos para arremessar a Pokébola — assim como Pokémon GO —, uma opção para usar itens — desde pokébolas diferentes a berries, que facilitam a captura —, uma de ajuda — que instrui sobre a forma de usar os sensores de movimento — e outra para fugir. Para arremessar a Pokébola, é preciso fazer o movimento graças aos sensores do Switch e há indicativos de que será possível arremessar de maneiras especiais que rendem bônus de captura. Ao fim do processo, todos os pokémons do grupo do jogador recebem experiência.

Ainda nessa tela de captura, há pokémons que agem de maneiras diferentes se estiverem com uma aura antes do encontro acontecer: o Jigglypuffy, por exemplo, fica quicando por todos os lados da tela como um verdadeiro balão, obrigando o jogador a ajustar a mira e o tempo para o arremesso.

Na floresta, era possível encontrar  Ratata, Oddish, Nidoran, Psyduck, Meowth, Jigglypuffy, Weedle e Pidgey. O grupo do treinador principal continha Pikachu, Eevee, Charmander, Bulbasaur, Squirtle e Meowth, mas esses pokémons estavam presentes apenas de forma provisória.

E as batalhas? 

As batalhas entre pokémons não foram extintas, felizmente. Seguindo a fórmula dos RPGs antigos, havia diversos treinadores espalhados pela floresta de Viridian e um combate era iniciado se cruzássemos seus caminhos.

Nesses momentos, foi possível observar que a Game Freak incorporou sua experiência com os jogos mais recentes para Nintendo 3DS: os combates seguem a fórmula por turnos e estão com animações dinâmicas e muito bonitas, definindo o que pode ser a melhor tela de combate já estrelada na série até então. É possível carregar seis pokémons diferentes, sendo que Pikachu ou Eevee têm animações especiais quando entram em ação e também têm técnicas especiais — na demonstração, Pikachu era capaz de utilizar a técnica do tipo voador Floaty Fall, que o fazia flutuar com balões e cair com um forte impacto sobre o oponente.

Tivemos a impressão de que o jogo ainda considera STAB Same Type Attack Bonus, ou bônus de ataque para técnicas do mesmo tipo do pokémon que as utiliza. Como o tempo de demonstração foi curto, não é possível afirmar com clareza, mas tudo indica que a lógica das batalhas dos jogos anteriores foi preservada, ainda mais se considerarmos que será possível realizar batalhas entre dois jogadores com multiplayer local e online.

Ao fim, as batalhas também rendiam experiência a todos os pokémons do grupo do jogador e outros itens úteis à jornada, tais como pokébolas e dinheiro.

O jogo busca atrair a base instalada de Pokémon GO e habituá-la ao formato já estabelecido dos RPGs de Pokémon

Por fim, a impressão que prevaleceu foi a de que Pokémon: Let’s GO, Pikachu! e Let’s GO, Eevee! são uma verdadeira mesclagem entre os RPGs principais e Pokémon GO. Ao mesmo passo em que eles apelam a uma nova geração de fãs e à base instalada do jogo para dispositivos mobile, eles ainda buscam ser reconhecíveis aos fãs de longa data. É como se eles desejassem habituar os jogadores mais casuais aos conceitos de Pokémon em preparação ao já anunciado RPG que será lançado em 2019 para Nintendo Switch.

Isso também significa que o jogo será utilizado pela The Pokémon Company e pela Game Freak como um instrumento para apostar em novas ideias e apurar feedback para o futuro da série.

Essa premissa é justificada ainda pela decisão de retratar os eventos de Pokémon Yellow, que reúne a primeira geração de Pokémon — as primeiras 150 criaturinhas mais memoráveis do desenho animado —, o professor Carvalho, os líderes de ginásio Brock e Misty e a icônica Equipe Rocket.

A ausência de batalhas de captura de pokémon pode deixar muitos jogadores com um pé atrás, mas a experiência completa é promissora: não é à toa que muitos jogadores chamam Pokémon: Let’s GO de um remake de Pokémon Yellow e adições como o sistema de customização de Pokémon — que parece abranger somente Pikachu e Eevee — e o cooperativo local devem colaborar para tornar a jornada memorável.