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REVIEW – Devil May Cry 5

Desenvolvedora: Capcom
Publicadora:
Capcom
Plataformas:
PC, PS4 e Xbox One

Versão testada: PC
Agradecimentos à Capcom pela cópia cedida para a produção de review

É inegável que a Capcom está vivendo uma das suas melhores temporadas em muitos anos. Após o grande sucesso de Monster Hunter World, o renascimento do Blue Bomber com Mega Man 11 e a reimaginação do icônico Resident Evil 2, chegou a vez da franquia Devil May Cry estrelar na atual geração de consoles com um ar mais moderno, mas ainda fiel às suas origens e com uma overdose de estilo.

Com lançamento previsto para o dia 8 de março de 2019 para PC, PS4 e Xbox One, Devil May Cry 5 é a sequência cronológica da série. O game estrela três personagens jogáveis: Nero, protagonista de Devil May Cry 4, Dante, filho de Sparda, e V, um personagem inédito e misterioso. Na trama, os três devem agir para conter a invasão demoníaca na cidade de Red Grave, que sofre com o surgimento da árvore Qliphoth, que é a fonte da sua destruição. Não coincidentemente, Nero tem seu braço demoníaco roubado por uma figura estranha e Nicoletta Goldstein, uma talentosa armeira e amiga do protagonista, o auxilia com próteses especiais chamadas de Devil Breaker, que são amplamente utilizadas para conceder habilidades únicas e para tornar o combate mais dinâmico.

Nero é um dos protagonistas de Devil May Cry 5 / Divulgação: Capom

O enredo é bastante simples e a progressão narrativa segue um formato não linear, alternando entre eventos do presente e acontecimentos de semanas ou meses antes para explicar alguns fatos. O jogo também intercala constantemente os personagens que o jogador terá de utilizar e, às vezes, dá a opção para que um deles seja escolhido. Isso colabora para deixar o gameplay mais dinâmico e dificulta que o jogo caia em uma suposta mesmice.

A campanha cumpre o papel de deixar o jogador engajado e curioso quanto ao que pode acontecer em seguida — e as surpresas fazem a espera valer muito a pena. Tudo fica ainda mais interessante com o bom humor característico da franquia: os personagens fazem coisas absurdas e riem diante das piores situações possíveis.

Em uma primeira jogatina, é possível zerar Devil May Cry 5 em aproximadamente 12 horas e ainda haverá melhorias para todos os personagens, encorajando um segundo zeramento para conquistar pontuações melhores e desbloquear tudo o que faltou.

O melhor sistema de combate já estrelado na série

Quando falamos de Devil May Cry, logo vêm à mente as múltiplas combinações de ataques estilosos e os upgrades que podem ser feitos às armas e habilidades únicas dos personagens. Em Devil May Cry 5, todas as qualidades do sistema de combate característico da franquia foram maximizadas, resultando em uma jogabilidade fluida e com uma excelente profundidade.

O que mais chama a atenção é como os personagens são distintos. Nero ainda consegue puxar os inimigos para manter o momentum do combo e pode potencializar seus golpes de espada com a mecânica de Exceed — graças às marchas que são possíveis com a Red Queen. Como ele agora conta com os Devil Breakers, que podem ser equipados antes das missões ou encontrados livremente pelo cenário, há uma nova camada de dinamismo ao jogar com o Nero: os Devil Breakers concedem uma habilidade comum e uma habilidade especial, que é feita segurando o botão correspondente a ele. Quando um Devil Breaker quebra, o próximo do “pente” é selecionado automaticamente. Como o jogador não tem controle livre sobre qual Devil Breaker do pente selecionará, ele é obrigado a improvisar com o que coletar ou até mesmo descartar o Devil Breaker que não deseja com uma explosão para atordoar inimigos e pegar o próximo.

Dante, um dos grandes favoritos da série, também faz jus à sua essência. Ele ainda apresenta quatro estilos de combate — Trickster, Swordmaster, Royal Guard e Gunslinger — e aproveita uma quantidade absurda de armas, que podem ser trocadas a qualquer momento com um simples apertar de botão, assim como os próprios estilos. Cada estilo exerce efeitos diferentes sobre as armas, fazendo com que Dante seja o personagem mais complexo do game. As suas sequências mais estilosas demandam treinamento e colocam a memória muscular dos jogadores para funcionar, mas são muito recompensadoras.

Por fim, V é um personagem inédito que joga de uma maneira completamente diferente: ele invoca familiares que lutam por ele, enquanto ele deve se posicionar e aplicar o golpe final com sua bengala para eliminar os demônios. O Griffo é usado para ataques à distância e o Shadow é usado para ataques à curta distância, mas V ainda é capaz de invocar o poderoso Nightmare, que é um monstro gigante que luta por conta própria por um curto período.

Como cada personagem também dispõe dos próprios upgrades e combos desbloqueáveis, dificilmente tudo será conquistado em uma primeira jogatina. Também pode ser que o jogador queira voltar uma missão para escolher um personagem diferente, adquirindo mais orbes vermelhos e aproveitando tudo o que o game tem a oferecer.

Visuais de altíssima qualidade, mas um level design que deixa a desejar

O motor gráfico RE Engine já provou muitas vezes do que é capaz, tendo seu ápice em Resident Evil 2, e aqui não é diferente. Em Devil May Cry 5, é possível experienciar visuais de altíssima qualidade e uma abordagem mais realista para os personagens, que estão muito detalhados. Os efeitos de partículas também fazem os olhos brilharem durante as lutas, especialmente quando o jogador domina o sistema e consegue fazer combos ainda mais estilosos. O jogo roda perfeitamente a 60 quadros por segundo e não sofre quedas aleatórias.

Em contrapartida, o level design não é muito inspirado. A impressão que fica é que a criatividade tende a decair a cada fase passada, pois a ação é jogada em ruínas genéricas e cenários demoníacos que não dão muita identidade ao game. Sempre quando é preciso abrir um caminho bloqueado, o jogador precisa destruir os mesmos tipos de raízes de Qliphoth atacando partes destacadas em vermelho, tornando a tarefa desinteressante e repetitiva. Também há sessões de plataforma, mas elas não funcionam tão bem quanto deveriam por culpa da câmera e felizmente são poucas.

É claro que há exceções e hora ou outra o jogo apresenta cenários que são verdadeiramente interessantes, mas, se compararmos com a expressividade de DmC da Team Ninja ou até mesmo com Bayonetta, da Platinum Games, o Devil May Cry 5 realmente precisava ter se esforçado mais neste sentido.

O ápice do gênero de Hack ‘n’ Slash na atualidade

Devil May Cry 5 traz a franquia de volta ao ápice do gênero de Hack ‘n’ Slash e prova que ainda é possível apostar nele na atualidade, servindo como uma grande referência. A Capcom claramente se dedicou em fazer o melhor sistema de combate possível e em apelar aos fãs com aquilo que eles realmente gostam de um Devil May Cry. O nível de dificuldade mais acessível também facilita para que novos entusiastas deem uma chance ao game, enquanto os níveis de dificuldade desbloqueáveis tornam os combates ainda mais intensos e dependentes dos combos certos para os momentos certos.

O gameplay dinâmico permite que o jogador se expresse da maneira que quiser e sempre é possível descobrir novas combinações para derrotar os demônios da maneira mais otimizada possível; as interações dos Devil Breakers de Nero com os chefes também permitem momentos empolgantes.

Apesar das ressalvas que fizemos aqui, os pontos positivos de Devil May Cry 5 são suficientes para tornar a experiência maravilhosa. Torcemos para que a Capcom continue produzindo excelentes jogos e que ela sinta ainda mais liberdade para ousar ao investir naquilo que os fãs realmente querem.