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REVIEW – Dragon Ball FighterZ

Desenvolvedora: Arc System Works
Publicadora: Bandai Namco
Plataformas: PC (Steam), PlayStation 4 e Xbox One 
Cópia do jogo cedida pela publicadora para review

Uma das propriedades intelectuais mais populares do mundo, Dragon Ball marca presença constante nos videogames desde os primórdios da indústria — ainda na época do Nintendo Entertainment System (NES), com Dragon Ball: Shenron no Nazo, em 1986 —, mas muitos dos fãs da série estavam carentes de novos jogos que adotassem uma perspectiva de luta mais tradicional, com um plano 2D.

Entendendo a fragilidade que a série sofria neste seguimento nos últimos anos, a Bandai Namco e a Arc System Works — veterana no ramo dos jogos de luta e responsável por séries como Blazblue e Guilty Gear — se juntaram para o desenvolvimento de Dragon Ball FighterZ, um novo jogo de luta 2D que esbanja saudosismo com inúmeras referências à obra original de Akira Toriyama e competência com o gênero competitivo, sem deixar de lado os jogadores casuais que gostam apenas de brincar e de desfrutar um espetáculo visual.

Disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One, Dragon Ball FighterZ foi lançado como um pacote completo para agradar tanto os fãs mais competitivos de jogos de luta como também os fãs de Dragon Ball, reunindo diferentes modalidades de jogo — incluindo uma história cinematográfica, um modo arcade desafiador, treinamento, desafios de combos, batalhas online etc — e uma jogabilidade simples e intuitiva, mas que ainda assim não dispensa a profundidade técnica para quem quiser estudar sua mecânica a fundo.

Uma história original que foge do roteiro que se repetia nos jogos baseados na obra

A história do jogo retrata eventos originais, feitos especialmente para ele: um experimento envolvendo misteriosas ondas de energia de uma antiga organização maléfica enfraquece os Guerreiros Z ao mesmo tempo em que uma horda de clones atacam diferentes localidades do globo. A única forma que os heróis têm para lutar é graças a uma alma terráquea que, por alguma razão, foi parar no corpo de Goku e assumiu controle dos seus poderes. Desta forma, começa uma jornada para desvendar os mistérios por trás das ondas e do ataque dos clones.

Os acontecimentos da história são retratados em três diferentes arcos, mas eles não são continuações diretas: cada arco apresenta a mesma história sob uma perspectiva diferente, com desenvolvimentos diferentes e com desfechos diferentes. Isso significa que há muitos detalhes em um arco que vão de encontro com o que acontece em outros, ao mesmo tempo em que algumas das suas explicações se complementam. Isso pode fazer com que muitos jogadores fiquem confusos ao completar o modo de história de Dragon Ball FighterZ e acabem enxergando os arcos como “modos de história independentes”, escolhendo aquele que mais achou interessante como o predileto e, talvez, “canônico”.

Apesar da confusão, a história é um grande atrativo para o Dragon Ball FighterZ em meio a uma época em que os jogos de luta investem em histórias cinematográficas para engajar a comunidade no universo das mais diferentes franquias do mercado. A adição da personagem inédita Androide 21, que assume um papel muito importante na narrativa, também é um dos chamarizes e não será atípico observar muitos jogadores falando bem sobre a nova personagem desenhada por Akira Toriyama.

Os fãs de longa data de Dragon Ball também serão recompensados com diálogos especiais e easter eggs conforme completarem as lutas do modo de história, sobretudo pelo fato de o jogo respeitar o histórico de cada um dos personagens dentro da obra original — o que faz com que sejamos capazes de experienciar FighterZ como um jogo que está dentro do universo de Dragon Ball.

Acolhedor aos iniciantes e tecnicamente denso aos veteranos dos jogos de luta

Um dos grandes alicerces do desenvolvimento de Dragon Ball FighterZ foi a sua acessibilidade ao jogador casual, sobretudo considerando que o renome de Dragon Ball abrange um público que não necessariamente é jogador acíduo de jogos de luta competitivos.

Com muita maestria, a Arc System Works foi capaz de desenvolver um sistema de jogabilidade que gira em torno de combos automáticos, que podem ser feitos facilmente pressionando os botões de golpes fracos, médios ou fortes repetidas vezes. Desta forma, todos os jogadores, sem esforço, são capazes de realizar combos em solo e aéreos que são tanto bonitos como também divertidos de serem feitos, permitindo com que todos possam ter boas horas de entretenimento. Os especiais com comando de um “quarto de lua” — assim como o famigerado Hadouken, de Street Fighter — também permitem com que todos sejam capazes aprender facilmente o repertório de golpes dos vinte e quatro lutadores do elenco.

Já os jogadores mais competitivos serão capazes de passar horas na sala de treinamento praticando combos mais complexos, que começam normalmente com um golpe médio agachado seguido por um golpe médio em pé cancelado em pulo, levando para um combo aéreo. Como Dragon Ball FighterZ é um jogo três contra três, à semelhança de Marvel Vs. Capcom, a sinergia entre o time também poderá demandar bastante estudo, já que é possível estender os combos ao chamar as assistências em momentos específicos para otimizar o dano ou para fazer um mix-up — manobra que tem a finalidade de sustentar a pressão em cima do inimigo, podendo inverter a posição de defesa ou alternar entre golpes agachados e overheads para tentar confundi-lo e abrir sua guarda.

Embora muitos personagens apresentem golpes rápidos e que possam parecer exageradamente fortes a princípio, o jogo oferece recursos defensivos para todo o elenco, tornando-o bastante equilibrado: todos os lutadores são capazes de rebater golpes normais e esferas de ki por padrão, além de também terem acesso a teletransportes com o gasto de barras, ao Super Dash, a agarramentos e ao chamado sparking, que equivale ao X-Factor do Marvel Vs. Capcom 3 e que fortalece os personagens por tempo limitado, aumentando a velocidade, dano e regeneração de vida.

É possível concluir que a Arc System Works provou a razão pela qual as comunidades das suas franquias são apaixonadas pela forma como a empresa trabalha com o gênero de luta: as partidas não são apenas bonitas visualmente, mas também muito variadas, mesmo com os personagens compartilhando possibilidades de combos e recursos defensivos/ofensivos semelhantes. Sempre há uma resposta possível para todos os ataques do jogo e o progresso neste faz com que os jogadores sintam cada vez mais vontade de aprender as suas complexidades.

Um espetáculo visual que segue o legado de Guilty Gear

Desde o seu anúncio, Dragon Ball FighterZ chamava muita atenção pelo seu visual, e não é à toa: a técnica da Arc System Works, que também foi empregada em Guilty Gear XRD SIGN/Revelator, trabalha com modelos tridimensionais que são tratados quadro a quadro para ficarem parecidos com um desenho animado — razão pela qual FighterZ é facilmente confundido com a obra original em anime.

Graças a essa técnica, a equipe de desenvolvimento foi capaz de criar cenas cinematográficas para as aberturas e encerramentos das lutas, assim como também para as habilidades especiais que são feitas durante os combates.

É seguro afirmar que Dragon Ball FighterZ é um dos jogos mais bonitos da atual geração de consoles, de tal modo que nos perguntamos o que mais poderia vir à tona em uma nova parceria entre a Bandai Namco e a Arc System Works, já que o trabalho visual empregado em FighterZ é perfeito para se enquadrar a qualquer jogo baseado em anime.

Problemas com os servidores no lançamento e DLCs

Infelizmente, seguindo a experiência com o Beta aberto, os servidores de Dragon Ball FighterZ estão passando por problemas em sua época de lançamento que podem estragar a experiência de muitos jogadores.

O sistema de matchmaking não está funcionando adequadamente, fazendo com que demore para que as partidas sejam encontradas dependendo da plataforma em que estivermos jogando. No PlayStation 4, é muito comum se deparar com partidas com apenas uma barra de conexão, sendo que, caso filtremos a busca por partidas com uma conexão boa, é capaz de demorar bastante para que um oponente seja encontrado.

Caso os jogadores queiram apenas criar uma sala para jogar com os seus amigos, eles também enfrentarão problemas, já que, mesmo que a sala seja criada com a quantidade necessária de vagas para todos os amigos jogarem, eles se depararão com uma mensagem de erro dizendo que “não há salas disponíveis”, tornando a experiência online frustrante.

O lobby interativo por meio do qual acessamos todas as modalidades de jogo é bastante criativo, mas ele pode ser uma grande dor de cabeça para combinar jogatinas com os seus amigos, já que eles terão de se dirigir ao mesmo servidor e ao mesmo lugar do lobby para poder entrar na sala, já que não há um sistema de convites no jogo.

Outro erro muito estranho que está ocorrendo, pelo menos na versão para PC quando fizemos o teste, consiste na impossibilidade de acessar a lista de servidores caso o rank do jogador seja um pouco mais alto — especificamente, o rank Androide com um quadradinho laranja ao lado do nome. Isso obriga os jogadores a permanecerem no lobby de acesso automático, através do qual, embora ainda sejam capazes de jogar batalhas ranqueadas ou casuais, serão incapazes de jogar com amigos em um Ring Battle, já que os servidores de acesso automático não aparecem na lista de servidores para serem selecionados.

Em adição, Dragon Ball FighterZ receberá mais oito lutadores em breve por meio de um Passe de Personagem que custa R$ 89,90 no PC e R$ 107,50 na PlayStation Store brasileira. Embora seja uma metodologia comum dos jogos de luta atuais, o preço está bastante abusivo, sobretudo por se tratar de um passe que ainda não especifica por quais personagens os jogadores estão pagando até o momento em que estamos redigindo esta análise.

Localização em português do Brasil, mas sem dublagem

Para a tristeza de muitos fãs, Dragon Ball FighterZ não apresenta dublagem em português do Brasil, mas o jogo está completamente legendado. Isso facilita o entendimento do modo de história e o acesso às configurações para os jogadores que não tiverem conhecimento de inglês.

Algumas decisões de localização nos deixaram um tanto quanto intrigados, já que acabam por estragar momentos que deveriam ser supostamente mais sérios da história do jogo e que parecem não se adequar à personalidade dos personagens participantes de várias das cenas, mas os jogadores que não forem muito exigentes não deverão se preocupar com esses detalhes.

Como opções de dublagem, o jogo oferece apenas os idiomas inglês e japonês.

Uma legítima carta de amor aos fãs de Dragon Ball e um presente aos amantes de jogos de luta

São poucos os casos em que jogos de luta se apresentam convidativos aos “dois lados da moeda” — jogadores casuais e jogadores competitivos —, já que é muito comum observarmos principiantes desistirem desse gênero por não se sentirem motivados a continuar por não conseguirem vencer os demais jogadores online. Dragon Ball FighterZ, embora obviamente apresente uma grande diferença de nível entre os casuais e os jogadores mais experientes como em qualquer outro jogo online, conta com os incentivos necessários para encorajar sua comunidade a crescer e a aprender cada vez mais.

Em suma, Dragon Ball FighterZ é um pacote completo que entrega saudosismo em seus mínimos detalhes, saindo da mesmice dos últimos jogos da franquia com uma história original e interessante, e que entrega tudo que um jogo de luta precisa para ser bem sucedido no mercado em meio à nova geração de consoles. Ele se consagra como um dos melhores jogos baseados na obra de Akira Toriyama de todos os tempos e será lembrado com muito carinho pelos jogadores com o passar dos anos, de maneira semelhante ao legado deixado pelas séries Budoukai e Budoukai Tenkaichi.