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REVIEW – Friday the 13th: The Game

Desenvolvedora: Illfonic
Publicadora: Gun Media
Plataformas: PC (Steam), PlayStation 4, Xbox One
Versão analisada: PC (Steam)
Cópia do jogo cedida pela própria publicadora
Assista à análise em vídeo clicando aqui

 

Jason Voorhees é uma das figuras mais icônicas dos filmes de terror e, de certa forma, de entretenimento. Além de ter estrelado na série de filmes Sexta-Feira 13 e ter feito muitas pessoas perderem o sono na época, o personagem também deu as caras em jogos para Commodore 64 em 1985 e Nintendo Entertainment System em 1989 — ou Nintendinho, como ficou mais conhecido no Brasil.

Após décadas, Jason está de volta em um jogo próprio e que podemos chamar de “definitivo”. Desenvolvido pela Illfonic e publicado pela Gun Media em maio de 2017, Friday the 13th: The Game é uma experiência multiplayer “assimétrica” na qual até 7 jogadores trabalham em equipe para escapar de Jason, que é controlado por um oitavo jogador. O jogo está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One e foi financiado por meio do Kickstarter por mais de 12.000 colaboradores, arrecadando mais de 800 mil dólares para o seu desenvolvimento.

Neste momento inicial, o jogo conta com três cenários diferentes — ou não tão diferentes assim, para falar a verdade, já que são idênticos visualmente —, dez personagens jogáveis que apresentam características diferentes que são muito importantes para o cumprimento dos objetivos e seis Jasons jogáveis, que também apresentam os seus prós e contras e que são referências diretas aos filmes do Jason.

Quando as partidas começam, os sobreviventes nascem em pontos diferentes do cenário e devem se reunir para que sejam capazes de se comunicar com os demais jogadores e buscar os itens necessários para escapar do Jason. Isso pode ser feito de diferentes maneiras, dependendo do cenário escolhido: é possível encontrar um fusível para reparar o disjuntor da casa que tiver um telefone para ligar para a polícia e escapar por alguma das saídas do cenário após cinco minutos de espera; encontrar gasolina, bateria e chave do carro para repará-lo e escapar com quatro pessoas; encontrar uma peça do motor do barco e gasolina para escapar com algum acompanhante; ou se arriscar a fazer uma sequência de ações para matar o Jason, tomando posse do casaco da mãe dele e aplicando golpes até que sua máscara caia, permitindo com que Tommy Jarvis o finalize.

As formas como os jogadores poderão escapar dependerão da facilidade com a qual eles encontrarão os objetivos, sendo essa a razão pela qual a comunicação é fundamental em Friday the 13th: The Game. O jogo conta com um ótimo sistema para comunicação por voz in-game, permitindo com que as pessoas se escutem apenas quando elas estiverem próximas ou caso elas tenham um rádio comunicador, que pode ser encontrado em várias das casas do cenário. Os sobreviventes também podem se equipar com armas corpo a corpo e com armas de fogo para atordoar Jason e conseguir um pouco de tempo para escapar ou se esconder, mas vale lembrar que estamos falando do Jason aqui, então logo ele se recupera e persegue os sobreviventes.

Também é possível customizar os chamados “perks” dos sobreviventes, que concedem benefícios especiais em troca de CP, que é a moeda do jogo que conquistamos concluindo partidas públicas ou privadas. Os perks também incentivam o fator replay do jogo e oferecem habilidades que são muito úteis aos sobreviventes, podendo até mesmo suprir algumas das fraquezas que os personagens possam ter se bem selecionados pelo jogador.

Já no lado do Jason, ele conta com habilidades muito úteis para se locomover pelo cenário e perseguir os sobreviventes. Por padrão, o Jason é capaz de fazer um golpe corpo a corpo e agarrar um sobrevivente para executá-lo — sendo que as execuções são totalmente customizáveis para cada Jason jogável. O Jason também consegue coletar facas arremessáveis pelo cenário e posicionar armadilhas nos objetivos dos sobreviventes para dificultar a vida deles. Para coincidir com a onipresença do Jason nos filmes da série Sexta-Feira 13, ele conta com uma habilidade de teletransporte, com um “dash” que o transforma em uma espécie de vulto para se locomover rapidamente, com uma habilidade sensitiva que mostra a localização dos sobreviventes que estiverem assustados e próximos da sua posição e com uma habilidade furtiva, que faz com que os sobreviventes não percebam a sua presença enquanto ela estiver ativada. Cada habilidade leva um tempo para ser utilizada novamente e o tempo varia de Jason para Jason; também há os Jasons que são mais resistentes a atordoamentos, que são mais rápidos na água etc.

A diversão é inevitável, mas há problemas que podem afetar a vida do jogo a médio e longo prazo.

As partidas são muito divertidas e engraçadas e o jogo conta com uma profundidade técnica interessante, levando um certo tempo para conseguirmos jogar decentemente e entender o sistema do jogo para lidarmos com um personagem tão poderoso como o Jason, mas não faz nem dois meses que o jogo lançou e a pouca variedade de fases e de objetivos diferentes já está tornando as partidas repetitivas. Já não basta as fases serem muito parecidas umas com as outras visualmente falando: elas contam com exatamente os mesmos objetivos, variando apenas no fato de haver um barco para fugir ou dois carros que podem ser ligados. É inegável que as fases realmente remetem à série de filmes Sexta-Feira 13, mas acredito que outros objetivos interessantes deveriam ser adicionados juntamente com fases que também sejam esteticamente diferentes e mais interessantes.

Um problema que fica evidente logo quando iniciamos o jogo é a sua otimização — ou a falta dela, neste caso. Friday the 13th: The Game é muito pesado no PC de maneira desnecessária e apresenta muitos bugs gráficos e de gameplay, sendo muito frequentes ocorrências em que os personagens ficam travados em portas, gavetas e em irregularidades do cenário ou até mesmo situações mais bizarras, como personagens que flutuam e não conseguem ser executados ou tiros que simplesmente atravessam o Jason e acertam o que não deveriam.

Outro problema que podemos apontar aqui é o matchmaking: o jogo não consegue filtrar as buscas por região adequadamente, então é mais comum encontrarmos salas repletas de estrangeiros, com o ping nas alturas, do que salas com brasileiros. Isso obriga os jogadores a fazerem salas privadas, mas nem sempre eles contam com pessoas suficientes em seus círculos de amigos que tenham o jogo. Também é muito comum a partida travar em uma tela preta no momento em que ela vai começar, obrigando os jogadores a sair da sala ou, em casos mais graves, a forçar o fechamento do jogo.

Friday the 13th: The Game é essencialmente um jogo multiplayer e não vale os R$ 72,99 que são cobrados na plataforma Steam, já que peca na variedade de conteúdo e pode enjoar facilmente os jogadores que não tiverem muitos amigos para experienciar partidas privadas com party fechada.

Vale ressaltar que a Illfonic e a Gun Media prometem lançar uma modalidade single-player até o final de 2017, mas pouco se tem de informação sobre ela. O que foi dito recentemente é que o single-player seguirá a linhagem dos filmes, começando em um momento em que os sobreviventes não fazem ideia da existência do Jason — em contrapartida ao multiplayer, que começa, por exemplo, na “tomada 4” em que os sobreviventes já sabem da existência do vilão.

Os jogadores que se aventurarem sozinhos no multiplayer do jogo poderão se frustrar facilmente com partidas paradas, vagando sem rumo por um cenário no qual não encontra os objetivos e onde as pessoas morrem uma após a outra.

A empresa também deve adicionar mais conteúdo ao jogo gradativamente, tais como novas vestimentas, novos personagens e, quiçá, novos cenários. A True Gamer Revolution continuará cobrindo as novidades sobre o jogo, então vocês poderão acompanhá-las em nosso site.

O que podemos concluir aqui é que Friday the 13th: The Game é um jogo para o qual você deve dar uma chance apenas se tiver muitos amigos para jogar com você, já que ele rende muitos momentos engraçados, além de ser uma ótima carta de amor aos fãs da franquia Sexta-Feira 13 por conta das suas referências e fidelidade visual e sonora. Todavia, a pouca variedade de conteúdo e os problemas de performance podem desencorajar os jogadores rapidamente.

  • jhonnyjhonson

    o jogo foi feito por arrecadamento dos fãs,os fãs quiseram que o jogo existisse,so dele estar divertindo as pessoas ja é uma vitoria dos produtores,os problemas que tiveram no lançamento ja foi explicado os produtores nao esperavam tanta gente logo de cara,sobre a falta de variedade,etc,claro que nao vai ficar so nos mesmos cenarios,mesmas coisas,jogo tem muito a evoluir ainda,relaxa esse rabo…

    • Independente do fato de ele ter sido financiado via crowdfunding, ele está no mercado para que todos possam adquiri-lo. Eu analisei sob esta perspectiva e, assim como você disse, a falta de variedade existe, por mais que mais conteúdo seja adicionado no futuro. É o mesmo caso do Street Fighter V: o jogo ficará bastante completo daqui a alguns anos, mas pode desagradar no estágio atual.

      Quanto ao problema dos servidores, houve a instabilidade no lançamento, mas o matchmaking continua ruim por não conseguir filtrar as salas por região adequadamente.

      • jhonnyjhonson

        é pensando bem tem razao,desculpe…