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REVIEW – Marvel Vs. Capcom: Infinite

Desenvolvedora: Capcom
Publicadora: Capcom
Plataformas: PC (Steam), PS4, Xbox One
Versão analisada: PC (Steam)
Cópia cedida pela própria publicadora
Assista à análise em vídeo

Após o quase que inesgotável vigor de Marvel Vs. Capcom 3 no âmbito mais competitivo, a nova aposta da franquia finalmente chegou ao mercado com o propósito de tornar a franquia mais convidativa aos jogadores mais casuais, oferecendo um conteúdo offline mais atrativo em comparação ao de Street Fighter V no início da sua vida útil e tentando manter a atenção e paixão dos jogadores mais competitivos com profundidade técnica em seu gameplay.

Marvel Vs. Capcom: Infinite dá sequência à série Versus da Capcom, mas agora retornando ao modelo de jogabilidade dois contra dois à semelhança de jogos clássicos como X-Men Vs. Street Fighter ou o primeiro Marvel Vs. Capcom. O seu desenvolvimento foi motivado pela intenção de não somente atrair novos jogadores ao âmbito dos games de luta, mas também de justificar a união dos universos da Capcom e da Marvel com uma história cinematográfica com o apoio de cenas pré-renderizadas.

Falando inicialmente sobre a história do jogo: ela demandará de três a cinco horas para ser completada caso o jogador não tenha muita experiência com os personagens do elenco. Todos os seus acontecimentos retratam a ascensão de Ultron Sigma, fusão dos vilões da Marvel — de Os Vingadores — e da Capcom — de Mega Man X — que, motivados pelo desejo de acabar com toda a forma de vida biológica, alastram o Sigma Vírus para dar origem a um exército sob seu controle. Para combater a ameaça, os heróis devem colaborar e procurar as Gemas do Infinito para evitar a submissão de todos os seres vivos ao auto-proclamado “Deus”.

Toda a ação se passa após a convergência dos dois universos e todos os personagens agem naturalmente entre si, como se fossem conhecidos há muito tempo. É inegável que é muito divertido ver Ryu interagindo em sinergia com Hulk, Morrigan tendo uma quedinha pelo Ghost Rider e o Rocket Raccoon fazendo piadas com o X, mas o relacionamento entre os personagens não reflete o fato de eles serem recém-conhecidos e que são pertencentes a universos completamentamente distintos, já que se mostram muito entendidos sobre tudo o que envolve as Gemas do Infinito e o Vírus Sigma.

Com isso, os fãs mais exigentes poderão se sentir desconfortáveis com o enredo forçado e falta de surpresas nas suas sequências narrativas, mas considerando o quão difícil deve ser elaborar um enredo envolvendo personagens de franquias diferentes e de mídias completamente independentes — quadrinhos, filmes, jogos etc —, a tentativa foi válida e, embora não seja uma história incrível, pode entreter os jogadores.

O grande problema aqui, no entanto, é a quantidade de telas de carregamento que aparecem após as cenas não interativas. Elas quebram totalmente o ritmo do jogo por serem muito frequentes e podem demorar até mais de 20 segundos, exigindo muita paciência do jogador.

A jogabilidade passou por uma pequena reformulação para permitir com que os jogadores principiantes possam se divertir com combos simples e de fácil execução, mas também para fazer com que eles se sintam motivados a explorar novas possibilidades. Agora temos apenas quatro botões de ataque: soco fraco, soco forte, chute fraco e chute forte. Os dois botões restantes são referentes ao sistema tag, que permite com que chamemos o segundo personagem selecionado a qualquer momento durante o jogo para estender combos ou confundir a defesa do oponente com algum mix-up, e à Gema do Infinito selecionada, que concede uma habilidade especial para suprir as necessidades da dupla do jogador com base nas suas preferências. Os strikers não marcam presença em Infinite, fazendo com que a dinâmica de jogo e as estratégias sejam completamente diferentes do jogo anterior.

Em resumo, o terceiro personagem que selecionávamos em Marvel Vs. Capcom 2 e em Marvel Vs. Capcom 3 foi substituído por uma das seis Gemas do Infinito, que permitem a realização de habilidades especiais específicas durante a partida e que podem ser usadas em sua capacidade total por meio do chamado Infinity Storm, que depende de uma barrinha que está posicionada no canto inferior da tela. O produtor Peter “Combofiend” Rosas havia declarado que o terceiro personagem dos jogos supracitados atuavam apenas como uma ferramenta devido à habilidade de assistência, dificultando a liberdade dos jogadores para escolherem aqueles com quem eles realmente queriam jogar. Agora, com as Gemas do Infinito, a ideia é que os jogadores possam escolher de fato aquele com quem eles querem jogar e utilizar a Gema desejada para adicionar um projétil, mobilidade, força etc.

Este sistema realmente ficou muito bem elaborado e conta com uma ótima profundidade técnica, ao mesmo tempo em que é acessível e de fácil aprendizado. Os jogadores podem passar horas experimentando combinações e descobrindo novas possibilidades com suas duplas de personagens.

Em termos de modalidades de jogo, Marvel Vs. Capcom Infinite conta com um conteúdo single-player melhor em relação ao do início da vida útil de Street Fighter V, oferecendo, além da já citada história cinematográfica, uma modalidade arcade, versus local e versus CPU, versus online, desafios — modalidade pensada para ensinar a movimentação e sistema básico do jogo e as particularidades de cada um dos trinta personagens do elenco — e treinamento. Infelizmente, ainda não tivemos a oportunidade de experimentar a modalidade online devido ao acesso prévio ao jogo, mas logo atualizaremos nosso review para relatar as experiências.

O grande problema do conteúdo single-player de Marvel Vs. Capcom: Infinite é que, além de a história cinematográfica ser curta e pouco cativante em comparação à do Injustice 2, por exemplo, a modalidade arcade é preguiçosa: apenas passamos por seis lutas e não possuímos um encerramento para cada um dos personagens; somos apenas recompensados por uma tela de “parabéns” estática e muito sem graça. A conclusão das partidas desbloqueia somente títulos para a ficha do jogador e novas cores para os personagens selecionados.

Marvel Vs. Capcom: Infinite é ousado por mexer diretamente no núcleo da jogabilidade ovacionada de Marvel Vs. Capcom 3, mas consegue oferecer uma experiência de jogo digna da franquia e com novas mecânicas muito bem-vindas.

Uma das grandes polêmicas que nortearam o desenvovlimento do jogo desde a sua revelação durante o PlayStation Experience do ano passado foi a qualidade gráfica: a versão final do jogo não está tão feia quanto todos os jogadores estavam falando e ele também receberá um patch gráfico a partir desta terça-feira (19), mas a sua interface de usuário parece ter passado pelo mesmo tratamento preguiçoso da modalidade arcade, diferentemente da que víamos em Marvel Vs. Capcom 3 ou até mesmo nos jogos mais clássicos da série.

É notável, no entanto, que personagens inéditos como Jedah e Ultron passaram por um tratamento muito superior em relação à grande parte do elenco, já que apresentam modelagens e animações muito melhores. Ademais, a falta de ousadia em investir em mais personagens inéditos também é um ponto negativo, já que os jogadores já estão familiarizados com quase todas as faces jogáveis.

Em suma, Marvel Vs. Capcom: Infinite é uma tentativa de ambas as empresas para oficializar a união de ambos os universos, podendo abrir espaço para adaptações cinematográficas e quadrinhos. Existem referências para todos os lados que pescarão a atenção dos jogadores mais atentos, mas dada a dificuldade de se mesclar múltiplos personagens de universos e franquias completamente distintas, acabamos por nos deparar com uma história rasa e que não justifica o preço de lançamento de R$ 200. A experiência de gameplay, apesar da reformulação, é ótima e faz de Infinite um legítimo jogo da franquia Marvel Vs. Capcom, mas apenas o tempo dirá se ele será tão longevo quanto o Marvel Vs. Capcom 3.