Reviews

REVIEW – NieR: Automata

Uma experiência memorável que deve ser revisitada várias vezes

NieR: Automata é um RPG de ação em mundo aberto que conta com elementos característicos de outros jogos nos quais a Platinum Games já trabalhou, colocando o jogador contra uma grande quantidade de inimigos simultâneos  e em combates frenéticos nos quais a esquiva é uma das principais exigências.

A história do jogo compartilha o mesmo universo do NieR original de 2010, mas não exige que os jogadores tenham jogado o game anterior para que os eventos sejam entendidos. A motivação para a trama começa com uma invasão de máquinas alienígenas ao planeta Terra, que foi a responsável por exterminar grande parte da população mundial. Os poucos humanos remanescentes, incapazes de combater o poder das máquinas alienígenas,  tiveram de buscar refúgio na Lua e sonhar com o dia em que retornariam para o velho lar.

Muitos anos depois, a humanidade foi capaz de originar uma série de andróides de combate chamados de YoRHa que possuem uma aparência semelhante à dos seres humanos e podem até mesmo sentir emoções, mas são orientados a inibí-las com o propósito de não prejudicar o transcorrer das missões. Eles são controlados pelo Bunker, que é uma base que está na órbita da Lua e que serve de centro estratégico para a guerra contra as máquinas que teria início a partir da criação dos andróides YoRHa.

nier-automata-screenshot-1

O enredo parece ser muito simples e linear de primeira impressão, mas não se deixe enganar: o desenvolvimento da história, logo em seu início, toma uma abordagem muito mais centrada no lado emocional dos andróides e também das máquinas — que, embora sejam inimigas, também manifestam semelhanças com os humanos que chegam a ser assustadoras e que são muito bem discutidas a cada hora jogada. O jogo convida cada jogador a refletir sobre o que é ser diferente e pelo que estamos lutando no dia a dia, fazendo com que as suas decisões influenciem diretamente no que será visto no decorrer do jogo.

Há mais de vinte finais possíveis para o NieR: Automata — sendo cinco destes principais —, então não se deixem enganar por uma tela de créditos: cada zeramento é uma experiência completamente nova e não necessariamente você repetirá os momentos do zeramento anterior.

Durante o jogo, nós controlamos a YoRHA No. 2 Modelo B, chamada normalmente de 2B, que é um modelo de combate feminino totalmente focado no cumprimento de suas ordens e com uma personalidade muito séria. Ela conta com o apoio do YoRHa No. 9 Modelo S, chamado normalmente de 9S, que é um andróide escaneador que apresenta mais emoções do que a maior parte das unidades da YoRHa, sendo um personagem bastante carismático por conta disso. A 2B se dá muito bem com espadas, lanças e punhos, enquanto 9S, por ser um modelo escaneador, é mais efetivo hackeando os oponentes à distância para torná-los mais frágeis.

nier-automata-screenshot-2

Ambos os personagens são acompanhados por robôs de apoio que são capazes de efetuar disparos à distância, como se fossem metralhadoras. Eles são muito úteis em combate e têm suas miras controladas pelo próprio jogador, além de também atuarem ativamente como personagens na história do jogo.

Embora 2B e 9S tenham personalidades completamente opostas e interajam apenas como protocolo da missão no momento em que se conhecem, esta dupla de protagonistas adquire cada vez mais afinidade com o decorrer do jogo e, por consequência, mais carisma. O jogador acompanha cada momento de 2B e 9S de muito perto, a ponto de compartilhar as mesmas emoções deles em momentos que são chaves na história de NieR: Automata — e convenhamos que isso é algo muito difícil de fazer em uma temática que tem a ver com máquinas e androides. Eu quero evitar spoilers ao máximo e talvez muitas coisas podem não estar muito claras para vocês, mas eu afirmo sem medo que a história é um dos pontos mais fortes de NieR: Automata.

União entre o Hack’ n’ Slash desenfreado da Platinum Games e os jogos Bullet Hell da década de 90

Quanto ao seu gameplay, NieR: Automata é um show de ação e, embora ele carregue muito do que já foi visto em outros títulos da Platinum Games — especialmente em Bayonetta —, ele tem o seu próprio chamativo: os momentos de ação corpo a corpo são constantemente intercalados com sessões de bullet hell no melhor estilo dos jogos de navinha dos anos 90 e por trechos com uma perspectiva 2D que faz com que ele se pareça com um jogo de plataforma, fazendo com que dificilmente fiquemos enjoados do seu ritmo. Esta foi uma proposta bastante ousada da Platinum Games, mas ela funciona muito bem na prática e ainda por cima é desafiadora.

Por falar nisso, desafio é o que não falta em NieR: Automata: o jogo conta com um sistema de nível que força o jogador a encontrar inimigos cada vez mais poderosos e é bastante punitivo, pois as máquinas causam muito dano. O jogador deve dominar a esquiva o mais rápido possível para conseguir lidar com os seus inimigos, além de também aprimorar o seu personagem com chips ofensivos e defensivos e com novas armas, que podem ser aprimoradas com os materiais corretos.

Eu particularmente senti falta de um sistema para desbloquear novos combos com as armas do jogo. Cada arma conta com um arsenal pré-definido que pode ser combinado com uma arma secundária para melhor desenvoltura em combate, mas, considerando que ganhamos experiência e aumentamos o nível do personagem, creio que seria interessante se também tornássemos nossos combos mais poderosos.

O mundo de NieR: Automata é aberto para exploração, mas muitas áreas apenas dão uma falsa sensação de liberdade por conta de paredes invisíveis. Ainda assim, o mundo do jogo é bastante extenso considerando os outros jogos em que a Platinum Games já trabalhou e ele sofre muitas alterações conforme avançamos na história, liberando novas áreas para explorarmos. Há muitos itens coletáveis espalhados e segredos a serem descobertos — incluindo novas armas —, sendo muito difícil não voltar ao mundo mesmo após ter concluído a história do jogo para descobrir alguma coisa nova. Além do mais, os cenários são ao mesmo tempo bonitos e devastados, revelando a proeminência da natureza em meio a um planeta Terra assolado pela ameaça das máquinas alienígenas.

Conteúdo visual e musical

Os gráficos de NieR: Automata contam com problemas visíveis na renderização de texturas e na resolução de determinadas partes do cenário ao nos aproximarmos delas, mas no geral é uma experiência visual bastante agradável. Não dá para ser muito rígido e exigir uma qualidade gráfica semelhante à de Horizon Zero Dawn por exemplo, mas o jogo da Platinum Games está muito longe de ser considerado feio. Além do mais, o que pode haver de problemas gráficos no cenário é totalmente recompensado pela qualidade dos personagens, que possuem modelagens típicas dos jogos da Platinum Games e da Square-Enix.

Outro ponto de grande destaque em NieR: Automata é a sua trilha sonora, que teve um cuidado todo especial com instrumentos orquestrados e com vocais que transmitem toda a emoção provocada por cada um dos momentos da sua história. Cada área do jogo conta com uma música tema, o que torna cada cenário memorável. A seguir, vocês podem ter uma prévia do trabalho sonoro do jogo:

Eu tive a oportunidade de experimentar o jogo em sua versão para o PlayStation 4 normal e, infelizmente, ele sofre com problemas de performance. A taxa de quadros por segundo é instável em quase todos os momentos do jogo — em especial quando há uma grande variedade de inimigos ou quando o cenário é muito amplo — e os loadings são consideravelmente demorados, embora não sejam tão frequentes quanto em outros jogos do gênero. Esses problemas não devem acontecer nas versões para PlayStation 4 Pro e PC, então pegue o jogo para o PS4 normal apenas se não tiver jeito. O jogo também não oferece legendas ou dublagem em português do Brasil, sendo mais do que essencial que o jogador saiba algum dos idiomas a seguir para usufruir de todo o conteúdo do jogo: japonês, inglês, espanhol, italiano, francês ou alemão.

Em suma, NieR: Automata é uma experiência imperdível aos admiradores de uma boa história e sobretudo aos fãs da ação desenfreada dos jogos da Platinum Games, à luz de Bayonetta. Os jogadores que sentem falta de jogos desafiadores também se identificarão com Automata, já que ele é punitivo do início ao fim e exige bastante da habilidade do jogador. Os que querem uma experiência diferente de tudo dirigida por Yokoo Tarou, que havia declarado que estava de “saco cheio” dos jogos de alto investimento, e compartilham do mesmo sentimento também não se decepcionarão.

O que vocês acharam deste formato de análise? Deixem as suas opiniões nos comentários e digam também o que vocês acharam do NieR: Automata e se pretendem adquiri-lo.