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REVIEW – Senran Kagura: Peach Beach Splash

Desenvolvedora: Tamsoft
Publicadoras: Marvelous, XSEED Games
Plataformas: PlayStation 4
Cópia do jogo cedida pela própria publicadora para análise
Assista à análise em vídeo clicando aqui

As voluptuosas kunoichi da Marvelous e da XSEED Games estão de volta com um jogo inédito que não somente carrega consigo a diversão característica da franquia, mas também a audácia para mais uma vez inserir uma nova aposta de gênero sob o rótulo Senran Kagura.

Lançado em março de 2017 no Japão para PlayStation 4 e em setembro de 2017 no Ocidente, Senran Kagura: Peach Beach Splash é o que podemos chamar de um spin-off da franquia que se popularizou sob o modelo de hack and slash. Aqui, o jogador se aventurará em partidas cinco contra cinco com armas d’água em perspectiva em terceira pessoa no torneio Peach Beach Splash, que reúne todos os tipos de kunoichi, vivas ou mortas, em partidas cujo objetivo é eliminar todos os adversários, deixando-os literalmente ensopados. O desenrolar do torneio é acompanhado por quatro diferentes arcos de história e mais alguns que são desbloqueáveis e que revelam o verdadeiro motivo por trás do evento e a ligação do jogo com a cronologia oficial da série Senran Kagura, fazendo com que este seja um jogo relativamente importante aos jogadores que acompanham os lançamentos da franquia e que querem saber um pouco mais dos novos dilemas das personagens de cada uma das academias shinobi após os eventos de Senran Kagura: Estival Versus.

Logo de início, percebemos o quão robusto é o conteúdo single-player: além dos diferentes arcos da história, que apresentam as perspectivas das diferentes academias de shinobi, é possível experienciar histórias paralelas focadas em personagens específicos no modo Paradise Episodes e se desafiar no V-Road Challenge, que se assemelha a um Grand Prix com quatro copas selecionáveis — uma mais desafiadora que a outra e com premiações melhores também. Caso o jogador explore todas essas modalidades e os diferentes níveis de dificuldade, ele facilmente ultrapassará as 15 horas de jogo — ou ainda mais, se este desejar pontuações ainda melhores para conquistar itens úteis para as mais de trinta personagens selecionáveis.

Cada vitória ou missão concluída recompensará o jogador com Zeny, moeda fictícia que pode ser utilizada na loja de Peach Beach Splash para a aquisição de novos itens, e com um pacote de cartas que são uma parte fundamental do sistema de gameplay do jogo, que detalharemos a seguir.

Por seguir os moldes de um jogo de tiro em terceira pessoa, é possível mirar e atirar livremente — com ou sem o auxílio de uma mira automática que colabora para tornar o jogo mais acessível. Também é possível executar um golpe corpo a corpo, efetuar um pulo duplo ou flutuar, dependendo da arma que o jogador tiver selecionada, e realizar uma rápida investida que serve para se locomover rapidamente pelo cenário, para se distanciar do combate ou para se aproximar com agilidade. Mesmo os jogadores que estão acostumados com a ação frenética dos títulos anteriores se sentirão confortáveis com a proposta de Peach Beach Splash, já que o gameplay é muito fluido, intuitivo e divertido.

De início, é possível escolher entre entre dez armas d’água únicas, incluindo: metralhadora, shotgun, lançador de granadas, pistolas, Gatling Gun e até mesmo uma bazooka. Todas podem ser aprimoradas até o nível dez para melhor potência conforme o jogador investe as cartas repetidas que ele conquista durante as partidas, que equivalem aqui a pontos de experiência. Cada uma dessas armas conta com uma estratégia para ter seu melhor desempenho extraído e é sempre vantajoso escolhê-las de modo a suprir as necessidades do time.

Além das armas, os jogadores também contam com até três cartas de pet, que invocam auxílios durante as partidas, e outras seis cartas de habilidade, que são totalmente customizáveis conforme o gosto do jogador — totalizando 9 cartas utilizáveis durante a partida. Existem mais de 800 cartas desbloqueáveis, envolvendo tanto cartas de ataque como também de defesa, de cura, debuff etc. Essas cartas vêm dos pacotes que desbloqueamos após vencer as partidas, que citamos anteriormente, mas eles também podem ser comprados com o dinheiro do próprio jogo na loja. Cada pacote tem uma chance de oferecer cartas raras e muito mais poderosas, incentivando o jogador a repetir as partidas e a customizar o seu deck com o objetivo de ter a configuração perfeita para o combate.

Assim como as armas, cada uma dessas cartas também podem ter seus níveis aumentados se o jogador investir as cartas repetidas. Isto faz com que os seus efeitos possam ter mais duração ou mais potência.

É muito interessante observar as inúmeras combinações de armas, cartas e pets que são possíveis em Peach Beach Splash e este é um ponto muito positivo do jogo, já que isso intensifica o fator replay e faz com que o seu gameplay não seja repetitivo, mesmo em partidas contra a CPU.

O grande foco de Peach Beach Splash, no entanto, é o seu multiplayer online, principalmente em função do seu formato de times. Os jogadores podem escolher entre partidas ranqueadas três contra três ou cinco contra cinco, criar salas de partidas livres para até dez jogadores e participar de missões cooperativas contra hordas de inimigos do modo de história. Entre as modalidades de jogo, temos: Team Battle, Capture the Bra — paródia do Capture the Flag —, Queen of the Hills — dominação de territórios — e Squirmy Showdown — o ponto é computado apenas se os jogadores forem derrotados com um Squirmy Finish, que é uma finalização humilhante que podemos fazer contra as inimigas que estiverem caídas.

Infelizmente, Peach Beach Splash sofre o mesmo problema dos demais jogos da franquia Senran Kagura que apresentaram uma modalidade multiplayer: há poucos jogadores online e o matchmaking também não ajuda. Não é impossível conseguir partidas online, mas é necessário esperar bastante para que uma sala fique cheia e, na maior parte das vezes em que testamos o multiplayer, não havia brasileiros jogando. Apesar disso, as partidas fluíram de maneira aceitável mesmo jogando contra estrangeiros, não apresentando travadas ou quedas de conexão constantes em comparação a outros jogos de tiro em primeira ou em terceira pessoa. O grande problema mesmo é a demora para conseguir entrar em uma partida devido à falta de jogadores, que pode fazer muita gente desistir e voltar ao single-player.

Vale ressaltar que também não é possível criar um grupo com os seus amigos para procurar partidas, fazendo com que a experiência online seja ainda mais frustrante do que deveria.

E é possível se divertir jogando apenas offline?

Conforme apontamos, Senran Kagura: Peach Beach Splash oferece dezenas de horas de jogo aos jogadores que resolverem se aventurar em todas as suas modalidades single-player e melhorar cada personagem, arma e carta do seu deck, mas a inteligência artifical pode ser um agravante na experiência.

Por se tratar essencialmente de um jogo de equipes, os parceiros controlados pela CPU podem prejudicar a performance do jogador, morrendo facilmente pelas equipes inimigas — principalmente no modo V-Road Challenge, no qual a dificuldade se intensifica a cada round e que vence o time que tiver o maior número de abates até o final do tempo.

Apesar disso, o gameplay variável, o ritmo das partidas e o conteúdo desbloqueável são o suficiente para convencer o jogador a investir muitas horas nas modalidades offline — ou até mesmo preferi-las às modalidades online, devido à dificuldade para se encontrar partidas especialmente em território brasileiro.

O visual do jogo segue a linhagem dos títulos anteriores e aparenta utilizar a mesma engine, mas é notável que as modelagens e os elementos do cenários estão muito mais polidos em comparação ao Estival Versus, que já é um jogo visualmente agradável. A grande preocupação da equipe de desenvolvimento foi justamente passar a sensação de que as kunoichi estão ficando molhadas durante as partidas, razão pela qual foi investido muito esforço em uma tecnologia que permite percebermos quando as roupas das garotas estão molhadas ou não.

Senran Kagura: Peach Beach Splash chega em um momento em que a atual geração de jogadores esqueceu o real motivo de se jogar um videogame: a diversão. Dentro da sua simplicidade e da sua pouca vergonha, Peach Beach Splash vai de encontro ao politicamente correto desnecessário e é um dos jogos mais divertidos que tive a oportunidade de jogar durante o ano de 2017, sobretudo por se tratar de uma experiência completa e inovadora dentro da sua proposta: o sistema de cartas aliado aos moldes do gênero de tiro em terceira pessoa faz com que o seu gameplay seja único, ao mesmo tempo em que seu conteúdo single-player respeita o histórico da franquia de oferecer muitas horas de entretenimento com personagens carismáticas e com o fator replay.

Em suma, todos os jogadores que estiverem à procura de um jogo diferente para se divertir e que não forem sensíveis a fan service e piadas de duplo sentido devem dar uma chance a Senran Kagura: Peach Beach Splash. Já os jogadores que são fãs da franquia não devem ter medo, já que as histórias de plano de fundo das personagens foram respeitadas e os eventos desta competição têm relação direta com a história da série, abrindo caminho para o seu vindouro clímax.

  • FeliperiN

    achei bem interessante, mas o preço ta meio salgado pra um jogo mais simples como esse, comparando com jogos AAA de grandes empresas.

    • Concordo. Talvez ele fique mais barato com as promoções de final de ano ou com uma suposta versão que saia para a plataforma Steam, se considerarmos os outros lançamentos da série que também receberam uma versão para PC. =P

      Obrigado pelo comentário!

      • FeliperiN

        Vou esperar pela versão de pc, além de ser mais barata eu prefiro muito mais teclado e mouse para jogar games que uma mira rápida e precisa é necessária.

        Obrigado por responder!