Reviews

REVIEW – Sonic Forces

Desenvolvedora: Sonic Team
Publicadora: SEGA
Plataformas: PC (Steam), PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch
Cópia do jogo emprestada pelo leitor Rafa_MKT
Assista à análise em vídeo clicando aqui

Em meio a uma época em que a qualidade dos jogos 3D do ouriço mais rápido do mundo é encarada como duvidosa e em que os fãs da franquia se apresentam divididos entre as diferentes propostas dos jogos passados, Sonic Forces é lançado carregando o renome da equipe que trabalhou em Sonic Colors e Sonic Generations, que foram bem recebidos pela crítica e pelos fãs do mascote e que acabaram por estabelecer um novo padrão na “linhagem moderna” dos jogos do Sonic.

Disponível para PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, Sonic Forces é um jogo de ação e plataforma 3D que contém muitos dos elementos introduzidos nos jogos anteriores, envolvendo sessões de alta velocidade em linhas retas e transições para uma perspectiva 2D que remete aos jogos clássicos do personagem, mas a sua grande aposta está na narrativa e na possibilidade de criarmos um personagem totalmente customizável que atuará ao lado dos personagens principais e exercerá um papel importante dentro da história, participando de grande parte das cutscenes e do desenvolvimento da trama.

O enredo do jogo gira em torno de um mundo que está sob o controle de Dr. Eggman, que foi capaz de expandir as suas forças graças ao poder de uma gema misteriosa chamada de Phantom Ruby — não coincidentemente, a mesma que aparece em Sonic Mania e que desencadeia os eventos do jogo. Sonic e seus amigos representam o último suspiro da esperança e formam uma resistência para combater o vilão, sendo eles os únicos capazes de lutar pela liberdade e de fazer com que tudo volte ao normal.

Apesar de a história se esforçar para deixar o jogador imerso, ela não é cativante o suficiente: as explicações sobre como Eggman foi capaz de conseguir tanto poder são absurdamente rasas e os confrontos da resistência acontecem muito rapidamente, não havendo uma conexão natural entre os eventos da história. Além do mais, os desfechos dos combates são saturados pelo clichê, pecando em originalidade e fazendo com que a história não seja memorável em comparação a outros enredos marcantes da franquia do Sonic.

A presença do Sonic Clássico, que chamou a atenção de muitas pessoas no trailer de anúncio de Sonic Forces e que deveria ser um dos alicerces da história do jogo, também é uma característica questionável, já que o personagem, embora faça parte da Resistência, não é explorado de forma coerente durante a narrativa e conta com uma baixíssima quantidade de fases jogáveis. Isso é no mínimo curioso, tendo em vista que a Sega se deu ao trabalho de conectar Sonic Mania ao Sonic Forces, e nos faz pensar que o Sonic Clássico está presente apenas para dar “mais volume ao jogo”.

É possível completar a história de Sonic Forces em aproximadamente quatro horas e, embora isto seja considerado curto para o mercado de hoje em dia, essa é uma boa duração para o Sonic Forces. O grande porém é que, como a história é desinteressante, as quatro horas demandadas para a sua conclusão são massantes — nem mesmo Infinite, novo vilão que é uma das criações de Dr. Eggman graças ao Phantom Ruby, é capaz de deixar o enredo mais interessante.

Em termos de gameplay, Sonic Forces aposta em personagens jogáveis que protagonizam estilos diferentes de se jogar: Sonic Moderno, que segue a premissa de alta velocidade de Sonic Generations; Sonic Clássico, que segue o formato dos jogos de plataforma clássicos da franquia também sob os moldes de Sonic Generations; e o Avatar customizável, que é um herói único que pode ser criado pelo jogador e que pode utilizar armas especiais para derrotar os inimigos e interagir com diferentes caminhos do cenário sob uma perspectiva semelhante à do Sonic Moderno, mas não tão rápida.

Apesar de a dinâmica do gameplay ser agradável visualmente, ela sofre com uma física confusa e com a linearidade do level design, que é um dos pontos mais negativos de Sonic Forces. É comum o jogador errar saltos devido aos comandos hora travados e hora escorregadios e as sessões dos curtos cenários se repetem do início ao fim, sempre apresentando o mesmo padrão de inimigos ignoráveis e escassez de desafio, mesmo na dificuldade “hard” — que é na verdade a dificuldade “normal” do jogo.

Independente da dificuldade selecionada, o jogador não perde vidas ao morrer e não recebe nenhuma punição por isso — é até mesmo possível conseguir um Rank S morrendo uma vez na fase. Isso faz com que a busca pelos cem anéis ou por vidas escondidas seja inexistente em Sonic Forces e que o jogador não zele por um bom desempenho nas fases, já que ele conseguirá avançar independente de quantos erros sejam cometidos.

Às vezes, o jogo tenta prover desafio com plataformas temporizadas, mas elas são completamente ignoráveis quando jogamos com o Sonic Moderno, já que ele tem a habilidade de passar por cima delas com um simples boost; também existem sessões com plataformas temporizadas com o Sonic Clássico que são dispensáveis e que denunciam a falta de experiência dos responsáveis pelo level design do jogo, podendo desagradar todos os jogadores que estiverem esperando um trabalho semelhante ao que foi feito em Sonic Generations ou em Sonic Mania nesse quesito. Além do mais, as fases do Sonic Clássico não são otimizadas para a utilização do Drop Dash, que é uma habilidade vinda diretamente de Sonic Mania e que favorece a movimentação pelo cenário, causando mais frustração do que satisfação ao usá-la.

Entre os três personagens jogáveis, o Avatar é o que mais pode divertir o jogador pelas diferentes possibilidades de armas equipáveis e pelo fato de ele ser um personagem cuja aparência é totalmente customizável pelo jogador. No entanto, nem mesmo as fases do Avatar fogem da linearidade, havendo até mesmo momentos em que o jogo avança por conta própria, sem que o jogador precise apertar um botão.

Apesar desses erros lamentáveis, Sonic Forces não é ruim por completo: visualmente falando, ele é o jogo mais bonito da linhagem 3D do Sonic já lançado até hoje, contando com cenários deslumbrantes e ótimas modelagens de personagens. A sua trilha sonora também segue o legado da franquia e é contagiante a ponto de fazer o jogador repetir as fases apenas para escutá-las novamente.

O Avatar customizável, apesar de também sofrer com os problemas de gameplay e de level design, também é um ponto positivo e um incentivo para que o jogador complete a história de Sonic Forces: com a conclusão de cada fase, o jogador recebe uma série de itens para personalizar a aparência do personagem a gosto, sendo que mais itens são recebidos dependendo da performance nas fases e dos desafios completados, favorecendo o fator replay. O jogador fará questão de receber uma classificação S ao terminar as fases para receber os melhores itens possíveis.

Sonic Forces  foi promovido como um grande jogo, mas não passa de uma experiência mediana que tem grandes chances de desapontar a maior parte dos fãs do ouriço.

É possível inferir que Sonic Forces não foi pensado necessariamente para os fãs de longa data do Sonic, mas sim para uma nova geração de fãs que talvez nem se incomode com a linearidade das fases, com os clichês da história ou com a falta de desafio. Considerando o preço de lançamento do jogo, que é muito abaixo dos demais lançamentos do mercado, Sonic Forces cumpre o seu papel como jogo mediano, não representando uma compra imediata e indispensável aos que se identificaram com o seu antecessor, Sonic Generations.

Todos os jogadores que estiverem à procura de uma experiência simples para se distrair podem considerar Sonic Forces como uma opção, mas é necessário ressaltar que há muitos jogos com uma apresentação e com uma experiência superior que, além de mais baratos, são capazes de entreter muito mais — como o Sonic Mania, por exemplo.

Vale ressaltar também que, por mais que o jogo seja vendido oficialmente no Brasil, ele não conta com legendas ou dublagem em português, dificultando sua acessibilidade ao público mais jovem no país.

Embora a premissa de a mesma equipe de dois jogos aclamados — Sonic Colors e Sonic Generations — trabalhar em um novo jogo soe otimista, Sonic Forces revela que não foi depositado o empenho necessário para fazer jus ao legado do ouriço da Sega, às promessas do período de revelação do jogo e sobretudo às expectativas dos fãs.