Reviews

REVIEW – SUPERHOT

Desenvolvedora: SUPERHOT Team

Publicadora: SUPERHOT Team

Plataformas: PlayStation 4 , PlayStation VR, Xbox One e PC

Versão analisada: PlayStation 4 (cópia fornecida pela publicadora)

Em um pequeno evento chamado 7 Days First Person Shooter, onde produtores, desenvolvedores e amantes de jogos se uniram com a intenção de produzir um FPS em apenas sete dias, nasceu SUPERHOT. Após seu lançamento no evento e com o protótipo liberado ao público, o jogo ganhou grande repercussão na mídia em massa em 2013. Após o projeto ser aprovado pela comunidade através do Steam Greenlight e do Kickstarter, a equipe de desenvolvimento conseguiu financiar o jogo completo e lançá-lo para plataformas domésticas e PC.

SUPERHOT é um FPS com a jogabilidade focada na manipulação do tempo de acordo com a movimentação do jogador. Resumindo, dependendo de como você se movimenta, o tempo começa a agir: caso você corra, o tempo fluirá normalmente; caso você dê passos lentos, o tempo se moverá em câmera lenta, sendo até mesmo possível observar a trajetória das balas em sua direção — algo similar ao filme Matrix.

Parece simples, mas ao encarar diversos tipos de inimigos com armas brancas e armas de fogo como Escopetas, Rifles de Assalto e Pistolas, ficamos nos indagando “mas de onde veio esse tiro?”. A aparição dos inimigos é determinada pela posição do jogador, fazendo com que inimigos apareçam pelas costas e por lugadores difíceis de se observar sem que mecher para algum dos lados.

Por mais minimalistas que seus gráficos sejam, há de se notar que eles trazem uma ambientação diferente e sem apelar para o realismo como muitos jogos atuais. Todas as fases são bem detalhadas com objetos presentes em cada canto, destacando com cada cor certos objetivos: objetos em destaque na cor preta são os que o jogador pode utilizar para distrair ou eliminar os inimigos, sejam armas de fogo, katanas, tacos de baseball, garrafas e outros objetos. Já a cor vermelha é a representação de seus inimigos, enquanto os cenários e os objetos não interativos são brancos. O que ganhou muita ênfase durante a gameplay foram os efeitos de projeteis  voando em câmera lenta e o estilhaçamento de vidros e inimigos quando os derrotamos.

Em relação à ambientação sonora, não há a execução de músicas, o que pode tornar as partidas desanimadas. apenas os efeitos de som de cada arma, objeto, inimigo derrotado, em sua especifica velocidade prevalecem. Há certas partes do jogo que haverá a presença de um clima mais tenso , mas nada que ganhe muito destaque .

Por sua vez, a história do jogo traz uma peculiaridade: logo quando iniciamos o jogo podemos ver ele como se fosse a inicialização de um computador utilizando o Sistema Operacional piOS, apresentando o menu do jogo como se fosse um DOS. Há as opções de iniciar os créditos, configurações, extras e o superhot.exe, que dará início à ação do jogo.

Vemos a interação com o protagonista reagindo a este jogo com seu amigo através de chat, e a reação do protagonista em dizer “nesse jogo apenas andamos e atiramos em caras vermelhos”. A real revelação do jogo vem quando o protagonista começa a ter visões e a receber mensagens bizarras durante suas partidas, oferecendo ao jogador algo bem profundo e, de certa forma, impactante.

O jogo gira em torno de duas a cinco horas em sua campanha principal. Após sua conclusão, são liberados os Challenges, que oferecem: o Modo SpeedRun, que consiste em uma corrida contra o tempo para cada fase do jogo; o Modo Katana, que permite somente a utilização de uma espada durante o jogo inteiro; e o Modo Endless, no qual inimigos aparecerão incessantemente e o jogador poderá finalizá-los de maneiras diferentes, registrando sua pontuação pelo numero de inimigos derrotados. Após um certo numero de pontuação atingido, novas fases e desafios são liberados.

SUPERHOT  inova — e muito — o gênero FPS, trazendo um visual muito surrealista e uma mecânica bem introduzida para o jogador analisar e bolar uma estratégia para cada fase.

Os jogadores que estiverem à procura de desafio devem dar uma chance ao SUPERHOT. Embora a premissa de controle do tempo transmita a ideia de que somos inatingíveis por termos pleno controle de tudo que está à nossa volta, qualquer erro de cálculo resultará na morte, tendo em vista que apenas um golpe ou tiro é mais do que o suficiente para falharmos a missão.

Por outro lado, sua curta campanha traz um pouco de desânimo e, logo quando o jogo introduz uma nova mecânica, a utilizamos muito pouco. Os jogadores que desejarem uma experiência mais “corriqueira” no que se refere ao gênero FPS poderão ficar decepcionados em razão disso. Todavia, seus extras liberados após a conclusão colaboram com a sua longevidade e ajuda a matar a saudade de “atirar em caras vermelhos”.