Reviews

REVIEW: The King of Fighters XIV Steam Edition

Desenvolvedora: SNK Corporation, Abstraction Games
Publicadora: SNK Corporation
Plataformas: PC (Steam), PlayStation 4
Versões analisadas: PC (Steam) e PlayStation 4
Cópia do jogo cedida pela própria publicadora

Após um conturbado período para a franquia que foi superado com o lançamento de The King of Fighters XIII, a SNK está de volta com esta que é uma das franquias mais renomadas do mundo dos jogos e que marcou a infância de muitos jogadores, especialmente nas casas de fliperamas.

The King of Fighters XIV foi lançado originalmente como um exclusivo do PlayStation 4 em 2016 e estrelou um visual 2.5D pela primeira vez na série, preservando a perspectiva 2D tradicional, mas com modelagens tridimensionais para os personagens e cenários. Nesta quinta-feira (15), o jogo chegou à plataforma Steam após o apelo de muitos fãs, cedendo a oportunidade para que mais pessoas possam aproveitar este novo capítulo da série que dá início a uma nova saga.

A SNK se empenhou em construir um sistema de combate fiel às raízes da franquia, mas ainda assim com uma cara nova para que os jogadores possam explorar novas possibilidades com os seus personagens prediletos: o mapeamento de quatro botões de ataque está de volta, sendo também possível esquivar para a esquerda ou direita e derrubar o oponente com um golpe poderoso que marca presença desde os The King of Fighters clássicos — o chamado C + D.

Existe um remanescente do sistema de combos de The King of Fighters XIII e The King of Fighters 2002, permitindo com que uma barra de especial seja sacrificada para a extensão de um combo ou para possibilitar a execução de golpes EX — versões mais poderosas dos movimentos especiais comuns — por tempo limitado.

Até mesmo os iniciantes podem ficar rapidamente confortáveis com este sistema, já que The King of Fighters XIV conta com um intuitivo tutorial que explica cada um dos pormenores do jogo para que qualquer jogador tenha conhecimento do que é possível fazer durante as partidas. Também existe um modo de desafios, semelhante ao de Street Fighter V, que lista combos que devem ser feitos com cada um dos personagens. É uma ótima forma de aprender a jogar com algum lutador novo, já que os combos ilustram bem algumas das formas de se causar dano sobre o oponente.

Não há dúvidas de que a jogabilidade de The King of Fighters XIV é o seu ponto mais positivo, já que é intuitiva e ao mesmo tempo divertida. Cada descoberta com algum dos personagens é um motivo a mais para continuar jogando e treinando.

Como um reflexo do sistema 3 contra 3 padrão da série, muitos personagens jogáveis estão disponíveis no elenco de The King of Fighters XIV. São mais de 50 lutadores, incluindo inéditos e retornantes. Os novos personagens são muito carismáticos e muito divertidos de se jogar — tais como Zarina, Bandeiras Hattori, Sylvie Paula Paula, Hein etc — e também há adições que geraram muita surpresa e que ficaram muito bem no contexto do The King of Fighters, como é o caso de Nakoruru, vinda diretamente de Samurai Shodown, e Muimui, das máquinas de pachinko.

Uma modalidade de história simplória não é exatamente o que se espera dos jogos de luta hoje em dia

A história de The King of Fighters sempre foi uma das suas principais características na época dos arcades, mas, em meio a um momento em que os jogos de luta estão investindo em histórias cinematográficas e em enredos bem desenvolvidos à semelhança dos demais jogos de ação e aventura focados em sequências narrativas, The King of Fighters XIV está ultrapassado. Temos exemplos como os de Injustice: Gods Among Us,  Guilty Gear XRD, Street Fighter V, Injustice 2, Tekken 7Mortal Kombat IX e Mortal Kombat X, que são jogos de luta que entregaram histórias cinematográficas que foram muito bem-vindas.

O pano de fundo da sua história consiste no fato de o torneio KOF ter se tornado em um negócio gigantesco, gerando muito lucro e muitos torneios paralelos ao redor do mundo. No entanto, devido ao seu tamanho e aos negócios, a sua qualidade geral começou a decair e muitas vozes ao redor do mundo começaram a demandar a formação de uma competição única — uma possível brincadeira com o que aconteceu de fato, com fãs demandando uma vinda triunfal da série.

Um bilionário que se auto-proclama “campeão” chamado Antonov comprou todos os direitos do The King of Fighters e anúncio uma nova edição que gerou muito entusiasmo no mundo todo, mas algo acontece nos bastidores e por trás da inocência de Antonov — o que será descoberto ou minimamente apresentado apenas com o zeramento de cada um dos trios.

O modo de história de The King of Fighters XIV conta com breves animações em CGI pré-renderizado que são divertidas e bem feitas, mas que se repetem independente do trio selecionado. Ao final, cenas com imagens semi-estáticas com textos são apresentadas para justificar a razão por trás da participação do trio escolhido no torneio e sugerir o que deverá acontecer a seguir. Eu particularmente não me senti motivado a jogar com todos os trios oficiais porque o processo é repetitivo e pouco recompensador.

Sequelas da crise? Ou falta de costume?

Uma das grandes polêmicas que perseguem The King of Fighters XIV desde o seu anúncio é a sua qualidade gráfica. Os visuais não são terríveis como muitas pessoas alegam na internet afora, mas é notável que falta polimento nas texturas e na iluminação para diminuir a sensação de artificialidade dos personagens. Por este The King of Fighters representar não somente o retorno da SNK após sua aquisição pela chinesa Leyou Millenium, mas também uma nova aposta visual da série com o estilo 2.5D popularizado por Street Fighter IV em 2008, o trabalho feito é bastante aceitável.

A SNK também se preocupou em lançar uma atualização gráfica gratuita ainda quando o jogo era exclusivo do PlayStation 4 em razão dos pedidos dos jogadores, o que melhorou bastante a iluminação e as texturas dos personagens e efeitos visuais.

Assim como já é padrão na série, a trilha sonora é muito marcante e faz com que os jogadores criem um carinho ainda maior pelo universo do jogo. Músicas icônicas da série estão de volta com um arranjo totalmente atualizado e de altíssima qualidade e as músicas inéditas também condizem com o histórico da franquia.

Uma modalidade online precária é o suficiente para que um jogo de luta não se popularize hoje em dia

Outra grande crítica feita ao The King of Fighters XIV foi em relação à sua modalidade online. O anúncio da Steam Edition gerou esperanças quanto a uma melhoria considerável nos servidores, mas, infelizmente, ainda existem grandes problemas.

Durante o período em que experimentei o jogo, não consegui encontrar nenhuma partida ranqueada. Foram feitas tentativas em dias diferentes e em horários diferentes também, mas o jogo não conseguia encontrar nenhum jogador. Apenas era possível jogar nas Player Matches, criando uma sala com suporte a 12 jogadores, mas ainda assim era comum experienciar quedas de conexão ao pedir uma revanche e partidas com lag que pareciam estar em câmera lenta.

Um online precário é muito frustrante aos jogadores que não têm amigos ou pessoas próximas para jogar offline e acaba com pelo menos 80% da diversão que eles teriam com o jogo, sendo este o ponto mais negativo que sinalizamos nesta análise. Estes problemas também acontecem no PlayStation 4, que parece estar com o online cada vez mais abandonado. Isso significa que os jogadores têm de recorrer a grupos na internet que reúnam outros jogadores de The King of Fighters XIV para trocar experiências e conseguir jogar, já não sendo uma tarefa tão prática quanto simplesmente selecionar a opção de buscar partida dentro do próprio jogo.

The King of Fighters XIV é um ótimo primeiro passo para este retorno da série, mas sua estrutura online e conteúdo offiline precisa ser trabalhado para condizer com os demais jogos de luta da atualidade e agradar aos jogadores mais casuais e competitivos.

Com isso, concluímos que os fãs de longa data da franquia The King of Fighters se sentirão acolhidos em The King of Fighters XIV Steam Edition com um sistema de combate simples de se aprender ao mesmo tempo que detém uma ótima profundidade técnica e possibilidades para cada um dos mais de cinquenta personagens selecionáveis. Todavia, a modalidade de história simplória e a falta de conteúdo offline acabará por fazer que os jogadores que não tenham amigos próximos ou potenciais oponentes offline tenham que recorrer a uma modalidade online precária que, embora esteja começando apenas agora no PC, já está manifestando os mesmos problemas do PlayStation 4, onde já está praticamente abandonado devido a problemas de conexão e matchmaking.