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REVIEW – VALKYRIE DRIVE: BHIKKHUNI

Desenvolvedora: Tamsoft
Publicadora: XSEED Games, Marvelous
Plataformas: PC (Steam), PlayStation Vita
Versão analisada: PC (Steam)
Cópia do jogo cedida pela própria publicadora
Assista à análise em vídeo

Apesar de ser conhecida nitidamente pelo fan service presente em seus jogos, a Marvelous também apresenta um histórico de jogos de ação competentes à luz da franquia Senran Kagura. Em 2015, aproveitando-se do embalo de Senran Kagura: Estival Versus, que era lançado na época, uma nova propriedade intelectual foi criada sob os cuidados do mesmo responsável da franquia das kunoichi: Valkyrie Drive.

Lançado em dezembro de 2015 para PlayStation Vita, Valkyrie Drive: Bhikkhuni foi relançado em junho de 2017 para PC, por meio da plataforma Steam, com uma versão em alta definição, podendo rodar em resolução 4K e a 60 quadros por segundo para uma melhor experiência visual. Ele consiste em um jogo de ação 3D muito semelhante ao próprio Senran Kagura, dispondo de sete personagens jogáveis que devem acabar com dezenas de inimigos em seções do cenário para abrir caminho até um “chefe”, que normalmente é uma dupla de personagens que também são selecionáveis.

A história do jogo gira em torno de um misterioso vírus que infecta jovens garotas. Este vírus faz com que as garotas se transformem em armas altamente destrutivas mediante estímulos, razão pela qual ilhas artificiais foram criadas para deixá-las em quarentena enquanto dados são coletados para que uma possível cura seja elaborada — ou para que elas sejam capazes de controlar as transformações por meio de combates. O vírus faz com que existam as garotas capazes de se transformar em armas (chamadas de Extar) e as garotas capazes de manipular as armas (chamadas de Liberator), mas uma classe especial do vírus, chamada de VR Virus, é capaz de assumir ambas as posições e é o centro da história do jogo.

Por esse motivo, as garotas são submetidas a uma série de combates em duplas para testarem seus limites e aprimorarem tanto as suas habilidades de combate como também a afinidade que elas têm umas pelas outras, já que essa relação é determinante para o poder das “transformações”.

Apesar de a premissa ser confusa a princípio, ela mostra potencial para o desenvolvimento de uma história minimamente interessante, mas a falta de carisma das personagens  e os pretextos vagos para a realização dos combates fazem com que o jogador não leve a história a sério e sinta-se entediado em muitos momentos, já que todos os diálogos acontecem com cenas semi-estáticas muito extensas.

Durante o gameplay, são notáveis as limitações pelo fato de o jogo ter sido lançado originalmente para PlayStation Vita: os cenários são pequenos e repetitivos, há uma pequena variedade de inimigos para enfrentar e cada personagem conta com pouquíssimos combos em seu arsenal. Diferentemente da franquia Senran Kagura, o jogador não desbloqueia novas combinações de golpes conforme avança o nível das personagens, tornando os combates desinteressantes e sem estratégia alguma, bastando “marretar” o botão repetidas vezes para matar uma horda de inimigos, desbloquear uma outra seção do cenário e enfrentar uma nova horda com os mesmos inimigos até chegar ao final.

As transformações das personagens também são muito fracas e apenas apelam para o fan service: não existe nenhuma mudança visual nítida, fazendo o jogador se perguntar se realmente houve alguma mudança de poder após toda a cena cinematográfica desnecessária. Além do mais, o jogo não explica em nenhum momento que é possível utilizar habilidades especiais semelhantemente aos ninjutsus de Senran Kagura, fazendo com que o jogador menos explorador passe pelo jogo inteiro apenas apertando o botão de ataque repetidas vezes — e, uma vez que o jogador descobre a existência desses especiais, a dificuldade, que já é praticamente inexistente, desaparece de vez, pois um ataque é o suficiente para acabar com os “chefes” de algumas fases antes mesmo de a animação dos golpes terminar.

Embora as animações dos combos de um modo geral sejam bem feitas, a jogabilidade de Valkyrie Drive: Bhikkhuni é muito frustrante: por se basear inteiramente em Senran Kagura, o jogo acabou por carregar problemas da outra franquia que não foram corrigidos, sendo o principal deles o posicionamento da câmera.

É muito comum o jogador ter dificuldade em enxergar o que está ao seu redor devido ao cenário limitado e à velocidade das personagens durante combos aéreos. Nesses momentos, o foco da câmera fica na parede, no céu e em outros elementos do cenário, impedindo com que a ação do jogo seja vista e fazendo com que o jogador acabe sofrendo golpes por não estar enxergando a personagem no momento.

O jogo também oferece uma modalidade online, mas não fomos capazes de encontrar uma partida sequer para experimentá-las. Este é um problema semelhante ao dos demais jogos da franquia Senran Kagura.

Em suma, Valkyrie Drive: Bhikkhuni tenta se apoiar nos moldes que tornaram Senran Kagura em uma franquia conhecida, mas falha miseravelmente na sua apresentação e no quesito diversão.

O jogo não carrega um 1/3 da qualidade e carisma de Senran Kagura e falha nos quesitos desafio, diversão e originalidade. Há jogos muito melhores e até mais baratos do que os R$55,99 que são cobrados por meio da plataforma Steam.

Talvez os desenvolvedores tenham achado que o fan service desnecessário seria o suficiente para salvar o jogo, mas não se deixem enganar: o jogo é absurdamente repetitivo, não possui nenhuma profundidade técnica em sua jogabilidade, carece de desafio e conta com um elenco de personagens irritantes e com complexo de personalidade. Mesmo tentando encorajar o fator replay com caminhos ocultos nas fases, o conteúdo do jogo não é cativante o suficiente para deixar o jogador engajado com a história e compromissado a desbloquear todas as roupas alternativas e a explorar o cenário: o jogador apenas quer pular os diálogos o mais rápido que pode e terminar a fase o quanto antes por falta de paciência.